Setembro é o mês de achar o vazamento antes que o verão o esconda
Com o consumo ainda baixo, uma perda de 3 m³ por dia salta no relatório. Em janeiro, ela some no meio da temporada. A subtração que revela quase tudo e o teste de madrugada que não custa nada.

Setembro é o melhor mês do ano para caçar vazamento em condomínio. Não por acaso: é a última janela em que o consumo ainda está baixo o suficiente para uma perda aparecer com clareza.
De outubro em diante, piscina enchendo, mangueira na área externa, banho mais longo e visita em casa embaralham tudo. Em janeiro, um vazamento de 3 m³/dia some no meio do consumo de temporada. Em setembro, ele salta.
A conta que revela quase tudo
Uma única subtração resolve o diagnóstico:
consumo do hidrômetro geral − soma dos hidrômetros individuais = perda do sistema
Essa diferença nunca é zero, e não precisa ser. Nela cabem a rega do jardim, a lavagem da garagem, a torneira da portaria e a imprecisão natural dos relógios. O que interessa é o tamanho e a tendência:
- Até 10%: normal na maioria dos prédios.
- Entre 10% e 20%: vale investigar, principalmente se veio subindo.
- Acima de 20%: quase sempre há vazamento na rede interna ou medidor parado.
Um condomínio que nunca fez essa conta costuma se assustar com o primeiro resultado.
O teste de madrugada
É o método mais barato que existe e continua sendo o mais confiável.
- Por volta da meia-noite, anote a leitura do hidrômetro geral.
- Feche o que puder ser fechado sem afetar morador: irrigação, torneiras de área comum, alimentação da piscina.
- Anote de novo às cinco da manhã.
Alguma variação vai existir — sempre há alguém acordado. Mas movimento contínuo e alto no ponteiro fino, com tudo fechado, é vazamento até prova em contrário.
Quatro suspeitos, nesta ordem
- Boia da caixa d'água. Boia travada faz a caixa transbordar por dias sem barulho perceptível. É a causa mais comum e a mais barata de resolver.
- Válvula de descarga em área comum. Banheiro de salão de festas e de portaria são campeões: passam meses vazando um filete que ninguém liga para reclamar.
- Rede enterrada. Mancha de umidade permanente, grama estranhamente verde num ponto só, piso que afunda. Em condomínio horizontal, é onde mora a perda grande.
- Medidor parado. Apartamento com consumo zero por dois meses seguidos e morador dentro não é economia: é relógio travado, e o consumo dele está sendo pago pelos vizinhos via rateio da diferença.
Por que fazer isso agora, e não em dezembro
- O reparo entra no orçamento antes da alta temporada, quando encanador cobra mais caro e demora mais para vir.
- O prédio chega em janeiro sem carregar uma perda que a temporada vai multiplicar.
- Há tempo para levar o assunto à assembleia com número na mão, em vez de pedir aprovação de emergência.
- Se o problema for medidor travado, a fila de troca ainda cabe no ano.
Um hábito que substitui a caçada
O condomínio que compara consumo mês a mês, por unidade, não precisa caçar vazamento: ele recebe o aviso. Salto de 40% num apartamento é vazamento em quase toda ocorrência — vaso sanitário passando, principalmente. Detectado no mês em que aconteceu, custa um reparo. Detectado três meses depois, já virou discussão sobre quem paga a diferença.
O ScanFlow compara cada leitura com o histórico da unidade e sinaliza o que fugiu do padrão, além de fechar a conta entre o hidrômetro geral e a soma dos individuais. O vazamento aparece no relatório antes de aparecer na fatura.
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Cansado de rateio de água que ninguém entende?
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