Corsan sobe 5,76%: o que muda no rateio do seu condomínio
O reajuste que banca a tarifa social entrou em vigor em julho. Em condomínio que cobra por tarifa fixa e não atualizou o valor, a diferença está saindo do caixa — e ninguém percebeu ainda.

A AGERGS aprovou em junho um reajuste de 5,76% nas tarifas da Corsan, destinado a bancar a tarifa social — desconto de 50% para cerca de 240 mil famílias de baixa renda no Rio Grande do Sul. O aumento entrou em vigor em 2 de julho.
Para quem mora em casa atendida diretamente pela concessionária, a conta simplesmente chega maior. Para condomínio, tem um detalhe que quase ninguém tratou — e ele custa dinheiro todo mês.
Quem cobra por rateio já está protegido
Se o seu condomínio divide a conta pelo consumo medido — a fórmula abaixo —, o reajuste se resolve sozinho:
valor da unidade = consumo da unidade × (valor total da conta ÷ consumo total)
Como o valor total da conta subiu, o preço do metro cúbico sobe junto, automaticamente, no mês seguinte. Não há o que ajustar.
Quem cobra por tarifa fixa precisa agir
Aqui mora o problema. Muitos condomínios definem em assembleia um valor fixo por metro cúbico — "R$ 8,75 o m³" — e cobram assim todo mês, porque é simples de explicar ao morador.
Esse número não se reajusta sozinho. Quando a concessionária sobe 5,76% e a tarifa interna continua a mesma, o condomínio passa a receber dos moradores menos do que paga para a concessionária. A diferença sai do caixa comum, ou seja: do bolso de todos, inclusive de quem gasta pouco.
É uma perda silenciosa. Não aparece em lugar nenhum do boleto, e só é percebida quando o caixa do condomínio começa a apertar sem motivo aparente.
Quanto isso dá na prática
Um exemplo com números redondos, para a conta ficar visível. Condomínio com conta mensal de R$ 50.000 para 2.300 m³:
- Antes do reajuste: R$ 21,74 por m³
- Depois do reajuste: R$ 22,99 por m³
- Diferença na conta do condomínio: R$ 2.880 por mês
Uma casa que consome 12 m³ passa de R$ 260,87 para R$ 275,90 — cerca de R$ 15 a mais por mês. Pouco para o morador. Mas se a tarifa interna não for atualizada, esses R$ 2.880 mensais viram rombo no caixa: quase R$ 35 mil em um ano.
O que fazer esta semana
- Confira como o seu condomínio cobra. Rateio proporcional ao valor da conta, ou tarifa fixa por m³? Está na convenção ou na ata da assembleia que definiu o critério.
- Se for tarifa fixa, compare. Pegue a conta de julho ou agosto e divida o valor total pelo consumo total. Esse é o custo real do metro cúbico hoje. Se a tarifa que você cobra estiver abaixo, o condomínio está pagando a diferença.
- Verifique se há direito à tarifa social. O desconto de 50% é para famílias de baixa renda, e em condomínio com medição individualizada o benefício depende do enquadramento de cada unidade. Vale checar com a concessionária.
- Atualize a régua. Mudança de critério de cobrança costuma exigir respaldo — convenção ou assembleia. Atualizar o valor dentro de um critério já aprovado é outra coisa, mas vale registrar em ata de qualquer forma.
Por que isso volta todo ano
Reajuste de tarifa não é evento raro: é rotina anual do setor. O condomínio que depende de alguém lembrar de atualizar um número numa planilha vai errar em algum ano — e o erro só aparece meses depois, no caixa.
No ScanFlow, a tarifa fica configurada em um lugar só e o sistema recalcula a conta de todas as unidades. Quando a concessionária reajusta, você sobe a fatura nova, o valor por metro cúbico se ajusta e o rateio do mês seguinte já sai correto — sem planilha para lembrar de mexer.
Com informações de GZH.
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