Inadimplência bate 11,95% e a conta sobra para quem paga em dia
O Censo Condominial registrou o maior índice da série e a taxa média passou de R$ 520. Parte desse atraso não é falta de dinheiro: é contestação de rateio que ninguém consegue explicar.

O Censo Condominial 2025/2026, levantamento feito com dados de cerca de 7 mil condomínios, trouxe o número mais alto da série: 11,95% de inadimplência acima de 30 dias. A projeção para o ano é que o índice fique perto de 11%.
No mesmo período, a taxa condominial média chegou à casa dos R$ 520 por mês — uma alta de quase 25% em três anos.
Os dois números conversam entre si
Taxa que sobe e inadimplência que sobe não são fatos separados. É o mesmo ciclo:
- Alguma despesa aumenta (energia, água, serviço terceirizado, seguro).
- A taxa é reajustada para cobrir.
- Uma parte dos moradores não consegue acompanhar e atrasa.
- O caixa fecha com menos do que o orçado.
- A taxa precisa subir de novo — agora para cobrir a despesa e o buraco da inadimplência.
Quem paga em dia banca duas vezes: a própria cota e o rombo de quem não pagou.
Onde os números do Sul ficam
A distribuição regional é desigual. O Sul registrou o menor índice do país, 8,77%, contra 13,06% no Nordeste e 11,70% no Sudeste. É uma folga real, mas não uma garantia: o índice do Sul também subiu.
A parte da inadimplência que é falha de gestão
Nem todo atraso é falta de dinheiro. Uma fatia — que nenhum censo mede, mas todo síndico conhece — é contestação: o morador não paga porque acha que o valor está errado.
E, muitas vezes, ele tem alguma razão para desconfiar:
- O rateio de água veio o dobro do mês passado e ninguém sabe explicar por quê.
- A leitura foi anotada num caderno e o morador não tem como conferir.
- O consumo de um apartamento vazio veio diferente de zero.
- A conta da concessionária não bate com a soma dos rateios, e a diferença foi distribuída sem aviso.
Boleto contestado vira boleto atrasado. E o atrasado por dúvida costuma virar atrasado por hábito: passados dois meses, o morador já entrou na conta de quem não paga.
O que reduz esse tipo específico de atraso
- Prova junto com o número. Foto do relógio, com data e hora, disponível para o morador. Discussão sobre leitura acaba quando existe a imagem do visor.
- Histórico visível. Ver os últimos doze meses do próprio apartamento responde metade das perguntas antes de elas chegarem ao síndico.
- Aviso antes do boleto. Um morador que recebe "seu consumo este mês foi 40% acima da média" três dias antes da cobrança verifica o vazamento em vez de contestar a conta.
- Critério de rateio escrito e estável. Mudar o método no meio do ano é o convite mais eficiente para a contestação coletiva.
O que isso não resolve
Transparência não paga cota de quem perdeu o emprego. A inadimplência estrutural exige acordo, cobrança e, no limite, o caminho judicial — e o Censo mostra que ela vai continuar alta em 2026.
Mas separar as duas coisas já é um ganho: quando a contestação some do caixa, o síndico enxerga o tamanho real do problema e cobra a pessoa certa.
O ScanFlow guarda a foto de cada leitura e mostra o histórico da unidade para o morador no portal. A conta que ele recebe vem com a prova ao lado — e o síndico deixa de gastar as tardes explicando número por número.
Com informações de Secovi/RS — Inadimplência condominial deve chegar a 11% em 2026.
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