Síndico novo: os números que você precisa levantar no primeiro mês
Assumir um condomínio sem saber quanto entra de água, quanto se perde e quais medidores estão quebrados é começar no escuro. Sete números que cabem numa página.

Quem assume um condomínio herda contratos, obras pendentes e, quase sempre, uma pasta de contas que ninguém explicou. Água, gás e energia costumam ser a maior despesa variável — e a menos compreendida.
Sete números respondem quase tudo. Levantar isso é trabalho de um mês e evita dois anos de discussão.
1. Quanto entra pelo medidor da concessionária
O consumo total, em m³, dos últimos 12 meses. É a linha de base de tudo. Serve para identificar sazonalidade e para saber se o mês atual é normal ou não.
2. Quanto soma a medição interna
A soma do que foi medido em todas as unidades no mesmo período. Se o condomínio não faz medição individual, este número não existe — e essa já é a primeira descoberta.
3. A diferença entre os dois
entrada − soma das unidades − área comum = perda
Entre 5% e 10% é o que o mercado considera normal. Acima disso, existe vazamento, medidor parado ou leitura faltando. Este é o número mais importante da lista.
4. Quantas unidades ficaram sem leitura
Casa não lida vira estimativa, e estimativa vira diferença rateada entre todos. Cobertura de leitura abaixo de 95% já distorce a conta de quem foi medido.
5. Quantos medidores estão com defeito
Parados, embaçados, quebrados, enterrados. Cada um é uma unidade consumindo e não pagando o que consome — na conta dos vizinhos. Vale uma lista com endereço e o que há de errado.
6. Qual o critério de rateio, por escrito
Proporcional ao consumo? Tarifa fixa por m³? Fração ideal? E, principalmente: onde isso está escrito — convenção, regimento ou ata de assembleia. Mudar critério sem respaldo é o tipo de decisão que volta como questionamento.
7. Quando foi o último reajuste da concessionária
Se o condomínio cobra por tarifa fixa e a concessionária reajustou depois disso, o condomínio está recebendo menos do que paga, e a diferença sai do caixa. É uma perda silenciosa que ninguém percebe até o caixa apertar.
O que fazer com a lista pronta
Esses sete números viram a primeira prestação de contas honesta que muitos condomínios veem em anos. E eles orientam a ordem do que fazer: se a perda está alta, o problema é rede ou medição, não o comportamento dos moradores. Se a cobertura de leitura está baixa, adianta pouco discutir tarifa antes de resolver o acesso aos relógios.
Depois de levantados, o trabalho é mantê-los atualizados todo mês — que é exatamente o que um sistema de medição faz por você.
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